sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Melhores Músicas de 2007: 60 - 51

60) "Kingdom of doom" MP3
The Good, The Bad & The Queen

Exímio apropriador de estéticas, Damon Albarn escolheu 2007 para lançar sua visão sobre o neo-folk americano. Bem acompanhado como sempre, Albarn dá ares londrinos e pós-apocalípticos ao que tem rolado de melhor do outro lado da poça em "Kingdom of doom", o grande momento desse novo projeto. Juntando folk anárquico do Animal Collective com o space-rock orquestral tipicamente britânico, pelo qual sua antiga banda (ou projeto?) já tinha passeado ("The universal", "Far out"), Damon conseguiu saciar parte das expectativas que cercavam o The Good, The Bad & The Queen. É o caso de aguardar seu próximo movimento.

59) "Blush" MP3
The Raveonettes
Para os Raveonettes, quanto mais velho, melhor. Aqui os suecos juntam uma demo perdida de alguma produção do Phil Spector (algo bem 63) com a barulheira saída do pedal estragado que Willian Reid usou no primeiro disco do Jesus And Mary Chain (lá de 85) para criar o melhor momento de "Lust Lust Lust", seu quarto disco. O bem e velho pop, doce, ruidoso e emocionante.

58) "Myriad Harbour" MP3
The New Pornographers

O 'comando' dos Pornographers pode até ser do Carl Newman, mas não dá para negar que as composições do Dan Bejar costumam ser pequenas pérolas espalhadas pelos quatro discos do grupo. Em "Challengers", último disco dos canadenses, Bejar nos presenteou com esse pequeno épico sobre Nova Iorque, recheado daquelas investigações melódicas e harmônicas do grupo, coisa todo fã de power pop tanto adora.

57) "Protection" MP3
Liars
Depois do maluco e sensacional "Drum's Not Dead", a última que coisa que podia passar nas nossas cabeças era que o Liars iria fechar seu próximo álbum com uma balada sobre um amor passado. Pois é isso. A bateria repetitiva e o teclado quase espacial fazem cama para os versos encharcados de melacolia e beleza do vocalista Angus Andrew.

56) "Superstar" MP3
Lupe Fiasco feat. Matthew Santos
"Superstar" é quase um resumo dos dois discos do rapper de Chicago. De um lado, a letra feroz discordando com o atual modelo de starsystem do hip hop americano. Do outro, um senso melódico sem igual, que é ao mesmo tempo drasticamente diferente de toda produção do gênero, mas com apelo radiofônico igual a um 50 Cent. Coisa de gênio.

55) "James Bonde" MP3
Bonde Do Rolê
Quem pode culpá-los? O trio curitibano foi mais esperto que toda uma geração de gente 'antenada' e venceu na pura picaretagem. Pode até torcer o nariz, mas não negue o quanto você é estúpido de não ter pensado nisso antes. Agora, com bolsos cheios de hype e dinheiro, o Bonde Do Rolê encara a decadência como gente grande do pop - claro, fazendo um reality show! "James Bonde" é faixa mais cômica de "With Lasers", pancadão que pode não ficar bem aqui no Brasil, mas no resto do mundo fez todo sentido. "Malandro é malandro, mané é mané", já dizia Bezerra da Silva.

54) "Pogo" MP3
Digitalism
Da Wikipédia: "The pogo is a dance where the dancers jump up and down, while remaining in the same location." Pogar, na minha época, era coisa de metaleiro ou punk. Coisa de gente "do rock". O Digitalism, dizem, é uma dupla de eletrônica alemã. Até aqui, nada de "do rock". Só que eles tem uma música chamada "Pogo", que é puro rock n' roll de estádio com refrão grudento (e bateria eletrônica). Confuso? Se preocupa não, é só 2007.

53) "I got this down" MP3
Simian Mobile Disco
O SMD pode até ter sido uma das cabeças pensantes por trás da new rave e de todo esse movimento "sem barreiras entre rock e eletrônica", - a dupla era uma banda de rock até uns dois anos atrás - mas no seu primeiro disco cheio o que se viu foi o melhor revival do pop eletrônico raça-pura. "I got this down" é toda oitentista/noventista e deliciosa, meio New Order do "Technique", com ecos de Depeche Mode e com vocais que são puro Underworld.

52) "Jigsaw falling into place" MP3
Radiohead
Depois do paque-o-quanto-quiser, a expectativa sobre "In Rainbows" deixou de ser musical para descambar para o lado comercial da coisa. Mas na sombra do it's-up-to-you, havia grandes canções. Escolhida como primeiro single do álbum, "Jigsaw falling into place" é drasticamente diferente do que se esperaria do Radiohead nesses dias (uma banda de space-rock eletrônico tocando um punk-folk com coral gótico?), mas, de novo, magnífica e desafiadora como eles vêm fazendo todo esse tempo.

51) "The year before the year 2000" MP3
Les Savy Fav
E o mundo não acabou na virada dos anos 2000. Mas, aceite, há muito pouca coisa para se agarar nesses dias de cataclisma ecológico e guerra na porta de casa. Talvez por isso, o hedonismo seja a cara dos anos 2000. Como se a festa de 31 de dezembro de 1999 tivesse que continuar até o fim do mundo, "The year before the year 2000" é puro rock n' roll descompromissado, cheio de energia, para se acabar na pista. So let's party like 1999! 1999! 1999 alright!

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Depois: Melhores Músicas de 2007: 50-41


Melhores Músicas de 2007: 70 - 61

70) "Now, now" MP3
St. Vincent
Quando a Feist foi para o primeiro time do pop, os indies-recalcados chiaram. Aí acabaram preferindo Annie Clark, codinome St. Vincent, outra cantora bem-conectada (já tocou com Sufjam Stevens, Polyphonic Spree e outros) e bem-intencionada, cuja música é tão arrebatadora quanto a da canadense. A faixa de abertura de seu primeiro disco, "Marry Me", é pedia certa pra os que já se cansaram de "1 2 3 4".

69) "Ayo technology (she wants it)" MP3
50 Cent feat. Justin Timberlake e Timbaland

Ok ok. Por mais que a dupla dinâmica do pop americano esteja ali no background, continua sendo 50 Cent e sexista para caralho, mas vai me dizer que não funciona? Como uma versão porn de "Cry me a river", a música traz os synths do Timbaland como a única base, sem batidas, quase atmosféricos, até que chega o refrão com Justin soltando aquele falsete-Prince característico das suas últimas produções. E você acaba se esquecendo que aquilo é 50 Cent e o quão ele é idiota.

68) "Rise above" MP3
Dirty Projectors
"Rise Above", o disco, foi uma das idéias mais arriscadas de 2007 - retrabalhar um álbum clássico inteiro, no caso "Damaged" do Black Flag. Tinha tudo para dar errado (o hardcore do original transformado em freak-folk dos anos 2000), mas a faixa-título e gran finale do disco dissipa qualquer dúvida ou má impressão. Diametralmente diferente e, talvez por isso, igualmente devastadora.

67) "Fluorescent adolescent" MP3
Arctic Monkeys
Quem diria que "Fluorescent adolescent" faria os macacos 'estourarem' (em termos) aqui no Brasil. Das duas uma: ou o meu porteiro é indie, ou essa é a primeira música a tocar tanto na Last FM quanto na Nativa FM. De qualquer forma, palma para eles.

66) "Elephant gun" MP3
Beirut

Mesmo sendo bem menos do que falam dele (gênio? daqui uns 10 anos talvez...), Zach Condon tem lá seus méritos. "Elephant gun", ponto alto do EP "Long Gisland", concentra todos eles. Estão ali os arranjos inusitados e belos, a voz expressiva, as pinceladas de música dos balcanica e a melodia emocionada. Está no caminho certo, agora basta sobreviver ao hype.

65) "The dull flame of desire" MP3
Björk feat. Anthony Hegarty

"Volta" foi mais interessante não pelo o que foi vendido, - um álbum pop da Björk - mas por pequenas surpresas como essa. "The dull flame of desire" é épica e emocionalmente gigantesca, mas ao mesmo tempo guarda uma fragilidade sutil, humana. A impressionante simbiose dois vocais e da orquestração parecem envolver o ouvinte, inundá-lo. Desvastadora.

64) "Suportar" MP3
Lasciva Lula
Justo quando a banda começa a aparecer no radar, - depois de quase 10 anos de existência - o Lasciva Lula decidiu que continuar batendo cabeça contra o mercado fonográfico brasileiro não valia a pena. Mais uma triste história dos que ainda teimam ir contra os padrões estabelecidos (há uns 10 anos atrás) nessa coisa nefasta que é o pop brasileiro. "Suportar" é a faixa mais calma de "Sublime Mundo Crânio" e a essa altura soa com um belo e doloroso adeus.

63) "My moon my man" MP3
Feist
É um clichê velho de cantora-madura querer flertar com o jazz, ou se diser influenciada por ele. Só que há mares de distância entre uma Nina Simone e, sei lá, uma Luíza Possi. Geralmente falta elegância ou criatividade. Para desespero das outras, Leslie Feist tem as duas características, de sobra. "My moon, my man" é charmosa, elegante e sexy - um jazz-pop competente por quem entende do riscado.

62) "My favorite book" MP3
Stars

Depois dessa, a nossa amada senhora Nina Persson pode se aposentar. Nessa coisa-fofa de música, Amy Millan chega querendo tudo, sutil como se não quisesse nada, e arrabata os corações dos marmanjos, igual a sueca fazia lá nos idos de "Lovefool". Casa, comida e roupa lavada. Topa, Amy?

61) "Atalho clichê" MP3
Terminal Guadalupe

Ainda na busca por um disco 100% ("A Marcha Dos Invisíveis" quase chegou lá), os curitibanos do Terminal Guadalupe já podem ser orgulhar de ter composto uma das melhores canções de amor-partido de 2007. Pop rock com inteligência e cantado em português, por quem ainda acredita nisso.

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Melhores Músicas de 2007: 80 - 71

80) "The world was a mess but his hair was perfect" MP3
The Rakes
A faixa de abertura do segundo disco do Rakes parte direto daquele niilismo urbano que fez história com "Work work work (pub club sleep)". Agora não há meias palavras e nem a felicidade junkie metropolitana do hit de 2005, só a aridez do asfalto e o amargar da vodka. A desarticulação e a tentativa frustada de se importar por quem levou isso ao topo das parada roqueiras.

79) "Cheer it on" MP3
Tokyo Police Club
É bem fácil gostar de uma música que começa aos berros de "Operator! Get me the president of the world! This is an EMERGENCY!". No entanto, a explosiva canção do grupo canadense é muito mais que esse berro. Sem chegar aos dois minutos, "Cheer it on" coloca os Strokes para tocar com o Sonic Youth de "Goo", mas com uma guitarra que vem direto do shoegaze. Grande promessa para 2008.

78) "O anti-herói (pt. 1)" MP3
Violins
Se você já acompanha a cena independente brasileira, já deve ter pelo menos ouvido falar na polêmica "Grupo de extermínio de aberrações" (um bom artigo aqui), faixa que puxou o último disco do Violins, o quase-exagerado "Tribunal Surdo". Enquanto "Grupo" oscila entre fantasia e realidade exagerada (uma "Karma police" da Terra Brasilis) e, por isso, é soco direto no estômago, "O anti-herói (pt. 1)" é realidade pura, cotidiana, quase despercebida - e por isso ainda mais aterradora. Como o Violins já havia experimentado antes, a canção chega sorrateira, como o ladrão da letra, até explodir no refrão, como um tiro, parte pólvora, parte culpa.

77) "On call" MP3
Kings Of Leon
Quem diria que só depois do hype o Kings Of Leon faria um álbum à altura dele? "Because Of The Times" é tudo aquilo que já foi dito sobre a banda (Strokes encontrando o rock-sulista americano), agora gravado da maneira que devia ser: equalizando espaço e nervosismo, urgência e emoção, como o em "The Joshua Tree" do U2. "On call" é a música-chave de "Because Of The Times", pesada, atmosférica e emocionante.

76) "Nightjoy" MP3
Kubichek!
O Kubichek! acabou ficando perdido no meio de duas ondas do pop britânico. Metade revival pós-punk, metade new rave - a mesma coisa, em outras cores - a banda foi hypa por tempo suficiente do refrão de "Nightjoy" grudar na cabeça.


75) "She can do what she wants" MP3
Field Music

Enquanto o indie americano continua tentando entender a magia eterna de "Pet Sounds", o Field Music está um passo além. Aqui (e em todo resto de "Tones Of Town") a banda inglesa executa primorosamente as lições do pop sessentista, só que ecoando o indie pop e a new wave inglesa dos anos 80. Não podia dar errado, podia?

74) "The Heinrich Maneuver" MP3
Interpol

"Our Love To Admire", na sua adoração pelo rock mais básico, desapontou quem esperava um álbum mais arriscado e experimental do Interpol. Mesmo assim, "The Heinrich Maneuver" foi um cavalo-de-tróia que convenceu até os mais exigentes. Rock direto, refrão grudento e a letra mais intelegível que já saiu da cabeça de Paul Banks. No mais, "how are the things on the west coast?" é um dos melhores começos de música do ano.

73) "Show your hand" MP3
Super Furry Animals

Os Beach Boys sempre foram referrência clara na música do SFA, mas em nenhum dos outros momentos da carreira dos galeses eles atingiram tal simplicidade brianwilsonana. Sem nenhuma das excentricidades costumeiras dos Furries, "Show your hand" é perfeição pop pronta para derreter seu coração.

72) "My body is a cage" MP3
The Arcade Fire

Os ritos finais de "Neon Bible" servem como resumo da missa. Sombria, angustiada, devastadora, "My body is a cage" é construída num crescendo orquestral agoniante, sem clímax, que se encaixa perfeitamente no imaginário assombrado pelo tempo presente criado pelo Arcade Fire no seu segundo disco.

71) "Men's needs (CSS remix)" MP3
The Cribs
Enquanto a original mostrava só o lado masculino da guerra, esse remix do Cansei De Ser Sexy banca a revanche feminina. A crueza dá passagem a batidas oitentistas que remetem ao início da carreira da Madonna, deixando tudo mais divertido. Pelo menos nessa batalha, elas venceram.


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Melhores Músicas de 2007: 90 - 81

90) "Carnaval" MP3
Nação Zumbi
É estranho que só agora, quase 15 anos depois da sua revolução, a Nação faça uma música como "Carnaval". A melhor faixa de "Fome De Tudo" é uma reimaginação do começo da fase elétrica de Jorge Ben, com o suíngue da guitarra de Lúcio Maia sambando com os tambores característicos do grupo. Destaque ainda para o refrão poderoso e para o arranjo eficiente com direito a um naipe de metais, solução pouco usada pela banda.


89) "Either way" MP3
The Twang
Em nenhum momento da história recente da música britânica uma banda tinha conseguido soar tão britpop. Uma canção de amor assobiável, com refrão emocionante, orquestrações pomposas e aquela produção impecável que se fazia lá em 1995. Noel Gallagher devia checar seus arquivos para ver se nada foi roubado.


88) "Beautiful life" MP3
Gui Boratto
Como a bela capa de seu disco de estréia, o produtor brasileiro Gui Boratto sabe congregar como poucos as várias cores da eletrônica atual E nessa faixa, há espaço para todas elas. House, ambient, techno, minimal, electro...tudo em uma única canção, que não traz a palavra 'beautiful' no nome por acaso.


87) "Mansard roof" MP3
Vampire Weekend

A esta hora de 2008, o Vampire Weekend para alguns pode ser até notícia velha, mas essa canção sozinha garante todo frescor da novidade. Parte vinda de audições repetidas de "Frankly, Mr. Shankly" dos Smiths, parte do incoscinete coletivo alterado pelo sucesso de "Graceland" do Paul Simon, essa canção é pop perfeito e inventivo pronto para ser consumido por ouvidos mais espertos.


86) "Roc boys (and the winner is)" MP3
Jay-Z
Marketing cruzado disfarçado de livre inspiração, "American Gangster", o disco, mostrou Jay-Z encarnando seu próprio mito, construído rima sobre rima desde "Reasonable Doubt". Marcado por um sensacional riff de corneta, o primeiro single mostra Jay cantando sobre ser um gângster, vender drogas e pagar bebidas para os manos e para minas. A mesma velha história, agora em película num multiplex perto de você.


85) "Fear of sleep" MP3
The Magic Numbers
Depois de um disco menos impactante que o delicioso álbum de estréia, o Magic Numbers voltou a encantar no EP "Undecided", que trazia duas inéditas, "The shootter" e essa "Fear of sleep". Apesar de já terem flertado com os Smiths nas duas primeiras faixas de "Those The Brokes", aqui os Magic Numbers levam Morrissey e Marr para um passeio no blues, estilo que a banda já havia experimentado em "The mule" do disco de estréia. Romeo Stodart já disse que o terceiro álbum dos Numbers será seu disco clássico. E ele deve estar certo.


84) "2 hearts (The Twelves remix)" MP3
Kylie
A original é uma irritante tentativa de Kylie soar como uma quarentona-sexy cantando um jazz-pop da pior qualidade. Pense naquela da Christina Aguilera, "Ain't no other man", sem a metaleira deliciosa. Booooring. Daí surgem dois produtores de Niterói (RJ) e esquentam a mistura com doses fartas de Daft Punk. Pronto, Kylie já tem sua nova "Can't get you out of my read".


83) "You got it all...wrong!" MP3
The Hives
Ninguém pode culpar o Hives por não ter tentado. "The Black And White Album" até se esforça para ser algo mais complexo e desafiador, mas os suecos funcionam mesmo tocando seu pretty-dumb-but-amazing-rock-n-roll como vêm fazendo desde "Veni Vidi Vicious".


82) "Ruby" MP3
Kaiser Chiefs
Tão estúpida quanto todo resto da produção do Kaiser Chiefs, "Ruby" é aquele tipo de música que você ouve e só acha "boazinha". Daí o maldito refrão idiota ("Ahh Ruby, Ruby, Ruby, Rubeeeee! Ahhhhhhh! Ah D-d-do ya?") gruda na sua cabeça e você se pega cantado isso no metrô, escovando os dentes, ouvindo outra música, dormindo...um horror. Nesse caso um horror legal chupado direto dos últimos discos do Morrissey.


81) "A paw in my face" MP3
The Field
"Minimalism describes movements in various forms of art and design, especially visual art and music, where the work is stripped down to its most fundamental features", é o que diz a Wikipédia. O The Field funciona mais ou menos como o que está descrito. As batidas são cirurgicamente escolhidas e repetidas sobre a discreta cama de sintetizadores, tudo com variações tão sutis que parece não ser a música que mudou de andamento, foi você que se mexeu. Extremamente simples, extraordinariamente efetivo.



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Antes: Melhores Músicas de 2007: 101 - 91
Depois: Melhores Músicas de 2007: 80 - 71

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Melhores Músicas de 2007: 101 - 91

Começa aqui a maratona (10 posts!) que te leverá através das minhas música preferidas de 2007. Tentei tornar essa lista o mais exuta possível, mas (in)(felizmente) não deu. O ano passado foi um dos melhores anos para música, e essas 101 MP3s que você poderá baixar (mas não conta para ninguém) só confirmam isso.

Na lista, há um pouco de tudo e mostrando como 2007 foi um ano de exploração nos lugares musicais mais diversos. Indo do samba tropicalista da Orquestra Imperial ao indie rock com afro-beat do Vampire Weekend, passando pelo funk carioca curitibano do Bonde do Rolê e o funk carioca senegalês da M.I.A., para então chegar nas melodias perfeitas do Wilco e na eletrônica que é mais rock n' roll que todo rock n' roll de hoje do LCD Soundsystem. Muitas são preferidas de todos, mas há também espaço para escolhas realmente pessoais, como vocês vão perceber.

ficaligado

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101) "The heart gently weeps" MP3
Wu-Tang Clan feat. Erykah Badu, Dhani Harrisson & John Frusciante
Só por ter sido a primeira música a usar legalmente um sample de Beatles, - na verdade, uns trechos da melodia de "While my guitar gently weeps" tocada por Frusciante e Dhani - essa colaboração já merecia ter entrado na lista, mas o primeiro single de "8 Diagrams", quinto disco do clã, é um delicioso rap na linha do A Tribe Called Quest, alternando o clima doce dos colaborares com a soturna a letra sobre vários assissinatos. Destaque para produção impecável do RZA.

100) "Gimme more (Lil Wayne remix)" MP3
Britney Spears
A bitch original voltou mais bitch que nunca. Quer dizer, ela não voltou. Na verdade, quem voltou foram os produtores dela. E já que todo "Blackout" foi só isso - várias batidas milimetricamente escolhidas com um gemidos da Bitchney por cima - o rapper mais idiossincrático dos EUA resolveu "terminar a foda" colando uma letra por cima e transformando o quase-fiasco (ou fiasco completo, se você viu o VMA) num pancadão sexy perfeito para pista.


99) "Dying is fine" MP3
Ra Ra Riot
Para os que gostam de humor negro e boa música, é só olhar o título. "Dying is fine" foi lançada alguns meses depois do baterista original do sexteto americano ser encontrado morto em situações desconhecidas. Já quem achou o cometário de péssimo gosto, também vai adorar a música. Soa como se o Arcade Fire preferisse os Smiths ao Echo & the Bunnymen.

98) "Hot Knives" MP3
Bright Eyes
Mesmo que "Magic" do Bruce Springsteen tenha ganhado de lavada de "Cassadaga", último disco do Bright Eyes, é de Conor Oberst a melhor música que o Boss não fez em 2007. Refrão poderoso, imaginário católico na letra e aquele clima que só um hino do Springsteen com E Street Band carrega. Como bônus, a voz sempre amargurada - e por isso emocionante - de Oberst.


97) "Dashboard" MP3
Modest Mouse
Quando foi anunciado que Johnny Marr tocaria em todas as faixas de "We Were Dead Before The Ship Even Sunk", eu fiquei a me perguntar se daria certo. O Modest Mouse sempre foi uma banda com uma identidade bem forte (construída com algumas apropriações de Pixies e Pavement, diga-se) e Johnny Marr é fácil um dos músicos mais singulares em seu jeito de tocar. Em disco realmente naõ deu tão certo ("We Were Dead..." é só bonzinho), mas no single de estréia a simbiose é total: a jangle guitar característica de Marr conduz a faixa cheia das bizarrices costumeiras do Modest Mouse e do vocal esganiçado de Isacc Brook.

96) "The pretender" MP3
Foo Fighters
Não importa o quão bom ou ruim for o novo disco do Foo Fighters (e o "Echoes..." foi só regular), o primeiro single sempre vai ser matador. Pense "Exausted", "Monkey wrench", "Learn to fly", "All my life", "Best of you" e agora "The pretender". Mais uma porrada digna da história dos Foos.

95) "Refúgio" MP3
Ludov
Enquanto o mundo gira rápido ao encontro da mais nova melhor banda do mundo, o Ludov continua indiferente fazendo a própria música do jeito que quer e sendo feliz assim. Já distante do pesado posto de banda "para estourar", os paulistanos fizeram mais um disco do melhor power pop produzido em terras nacionais. E sétima faixa do "Disco Paralelo", eles alcançam mais uma vez a perfeição. Power como "Kriptonita"e pop como "Princesa". Adorável como ambas.


94) "Delivery" MP3
Babyshambles
Então, é isso? Pete Doherty voltou a fazer música? "Shotter's Nation" pode não ter conseguido honrar o catálogo passado dos Libertines, mas nesse single Pete nos fez lembrar por ele era tão legal há uns 5 anos atrás. Um semi-épico de refrão grudento (e letra intelegível para quem nunca foi namorado da Kate Moss) que soa como uma versão bem acabada do fracasso "Fuck forever".


93) "Canção que não morre no ar" MP3
China
Praieiro, praieiro, o single escolhido para puxar o segundo disco do músico pernambucano China é uma canção de amor com uma das letras mais simples e bonitas do rock brasileiro em 2007. Sobre uma batida fuleira de violão (algo como Jack Johnson com sambinha) pontuada por um ondulado arranjo de cordas, a voz de China aparece doce e discretamente ensolarada. Se o mundo fosse justo, viraria hit nos luais do litoral brasileiro.

92) "Somewhere between waking and sleeping" MP3
Air feat. Neil Hannon
Essa é uma daquelas idéias geniais que ninguém teve. O eterno casanova do pop britânico soltando o vozeirão em cima de uma canção de ninar sexy da banda mais sexy do mundo. Para dormir. Ou não?]


91) "Backed out on the..." MP3
Kevin Drew (Broken Social Scene Presents)
Para entender muito do feeling dessa faixa e do disco 'solo' de Kevin Dew é mais fácil ver o clipe, gravado minutos antes de um show. No vídeo, toda galera da Arts & Crafts (e agregados) está reunida sob o comando de Drew para um versão ao vivo da música, contando com a participação mais do que especial do eterno J Mascis (do Dinousar Jr.). Todo mundo feliz, comemorando a alegria de ter amigos e te ter ajudado um deles a gravar seu disco. Mais Broken Social Scene impossível.

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

domingo, 13 de janeiro de 2008

Melhores de 2007: 15 Shows

Notícia velha que 2007 foi o grande ano para shows no Brasil, né? Fico feliz de ter ido a uma quantidade sufiente para que consiga fazer essa lista. 2008 está aí e já temos confirmados Interpol, Klaxons, Yo La Tengo, José González (que vou perder mais uma vez!), Bob Dylan, My Chemical Romance, Editors e até Justin Timberlake! E isso só no primeiro semestre, com só um festival. Imagina lá pra Outubro e Novembro...imagina Radiohead?

Perdi...
Battles
Cat Power
Coldplay
Joanna Newsom
Phoenix
Keane
Roger Waters
The Police
Eagles Of Death Metal
Mudhoney
Aerosmith
Soulwax/2ManyDJs
The Chemical Brothers
...
Enfim, a lista.

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15) Móveis Coloniais de Acaju @ Festival Indie Rock - Circo Voador (26/07)
Faço um mea culpa aqui sobre o Móveis: ignorei a banda por dois anos (até esse show), fui burro e preconceituoso (feijoada búlgara? oi?). Mas esse show me pegou de jeito e fez o segundo disco da banda (que, dizem, sai pela Som Livre) ser ansiosamente aguardado aqui em casa. A apresentação foi uma loucura como, dizem, ser todas as da banda. Gente corendo, se esbarrando, pulando e fazendo roda no final. E a música? Divertida, original e - acreditem - emocionalmente poderosa. [resenha completa]

14) The Rakes @ Festival Indie Rock - Circo Voador (26/07)
Com o "Ten New Messages" já lançado e com a maioria das expectativas desfeitas, o Rakes não parecia ter muito para oferecer além daquelas velhas lições pós-Is This It. Mas, lembre-se, eram boas lições. Roquinhos de 3 minutos encharcados de um novo-velho niilismo metropolitano, se bem executados, ainda garantem um ótimo show. Se rola um clichê, tipo invasão de palco então... Work work work pub club sleep é, digamos, o novo it's only rock n' roll but I like it. [resenha completa]

13) Tokyo Police Club @ Planeta Terra (10/11)
Ok, o Tokyo Police Club ainda só tem, vejamos, 25 minutos de músicas gravadas. 25 minutos dos mais promissores. Imagine os Strokes (ou o próprio Rakes) dando um encontrão musical no Ride. Cada músico da banda parece tocar numa vibe diferente. Por exemplo, o tecladista maluco parecia dopado de ácido num show do Chemical Brothers, já o guitarra solo devia estar se imaginando um novo Kevin Shield, enquanto o vocalista era todo desconcerto contente de ver todo mundo com as letras (pelo memos dos semi-hits "Nature of experiment" e "Cheer it on") na ponta da língua. Isso tudo, por enquanto, funcionou tão bem nos nossos MP3s como ao vivo. Nos resta aguardar os próximos capítulos.

12) Cansei De Ser Sexy @ Planeta Terra (10/11)
Tinha tudo para dar muito errado. A primeira apresentação do CSS 18 meses depois do estouro tinha como pano de fundo a troca de farpas entre a banda, a imprensa brasileira e público em si. O show começou com um som horrível e a banda num quase pé-de-guerra com os técnicos. Era como se tudo que tinha dado certo no resto do Planeta Terra, tivesse falhado justo no show do CSS. Parecia que a qualquer momento o bateirista-guitarrista-mentor-e-porta-voz da banda, Adriano Cintra, fosse levantar e pagar o esporro para produção, para o público, para imprensa e para o Brasil. Quase. Daí que as coisas se acertaram e o público foi ao delírio com tudo que só ouvia falar que o CSS era capaz. E a banda parecia feliz no país em que ela não estourou. No mais, aquele argumento que o CSS é só uma piada armada pelos modernetes de SP parece não colar tão bem como quando tudo isso começou.

11) Arctic Monkeys @ TIM Festival - Marina da Glória
Foi um trabalho difícil esperar e assistir os Arctic Monkeys. O calor era absurdo o cheiro de suor pior ainda. Todo mundo se espremia para ver "primeira grande banda da geração myspace", incluindo os fãs histéricos que formam a "geração myspace". Era o primeiro grande show de grande parte dos presentes, a quantidade de pais na fila não nega (a censura era 16 anos). Era o dia da vida daquelas pessoas pelo tanto que todos pulavam, gritavam e se entregavam àquelas canções. E o show? Foi rápido, certeiro e se muitas firulas. O repertório juntando as melhores dos dois discos já forma um bom conjuto e a banda parece disposta a executar cada uma das músicas da forma mais precisa possível. A bela " A certain romance" fechou brilhante a noite suada. Sem bis. Sem "tchau! obrrigadou brrrahsil!". Pelos sorrisos, ninguém se importou. Nem eu. [resenha completa]

10) Hot Chip @ TIM Festival - Marina da Glória
Das várias mancadas (e não foram poucas) que a produção do TIMFest cometeu na edição 2007, a maior (para mim) com certeza foi ter escalado o Hot Chip para tocar antes do Arctic Monkeys. A maior tenda da Marina da Glória abarrotada de gente não foi o lugar perfeito para eletrônica pesada, psicodélica e extremamente dançande do Hot Chip. As fãs dos macacos faziam cara de "oi?" com as longas jams de teclado, sinterizadores, baixo e uma eventual guitarra, provavelmente se perguntando quem era o nerd enrolado num saco plástico que comandava aquilo tudo. Eu até tentei dançar. Não deu. Mas pelo que se ouviu, os ingleses estão perto de cometer uma obra-prima em seu terceiro disco, "Made In The Dark" (já vazado, mas com uma voz irritante por cima). [resenha completa]

09) Vanguart @ Cinematéqué Jam Club
Não vou negar que meu primeiro show do Vanguart foi bem decepcionante. Atraso de quase 2 horas, o som nefasto do Teatro Odisséia (e o chopp quente e caro do local) e a banda parecendo não estar nos seus melhores dias fizeram que eu quase mudasse minha opinião sobre a banda. Por sorte, uma nova chance apareceu, na charmosa e aconchegante Cinematéqué, com um som bem mais audível e ainda com abertura luxuosa do duo de folk-rock chileno Perrosky. E o Vanguart não decepcionou, mesmo com um Hélio Flanders com voz arranhada. O show foi longo e intimista, com banda e público batendo papo. O set resgatou algumas canções dos primeiros EPs, além de belas versões para minhas favortitas ("Para abrir os olhos" e "Antes que eu me esqueça") e final com duas covers de Beatles. Classe. [matéria com Vanguart]

08) The Killers @ TIM Festival - Marina da Glória
Algumas pessoas devem se lembrar da seguinte citação que descreve bem a função de um frontman: "I connect. I get people off. I look for the guy who isn't getting off, and I make him get off." A frase pertence a Jeff Bebe, vocalista da banda fictícia Stillwater (de "Quase Famosos"), mas não soaria estranha na boca de Brandon Flowers. Não importava o quão cafona pudesse estar o palco, não importava o quanto o resto da banda se esforçasse para aparecer, era Brandon que comandava a platéia. Flowers ia até a tal pessoa que não estava 'geting off' e fazia ela estourar os pulmões e os tornozelos de tanto cantar e pular. Metade Morrissey, metade Mercury, Brandon se encaminha para ser o cantor das multidões dessa década. Só tem que tomar cuidado para música não ficar pelo meio do caminho. [resenha completa]

07) The Magic Numbers @ Festival Indie Rock - Circo Voador (25/07)
"Tudo fica bem quando acaba bem" é o clichê perfeito para o primeiro dia do Festival Indie Rock. Nem Lucas Santta, nem Hurtmold conseguiram animar o pequeno público, disperso no Circo Voador. A noite parecia perdida e os a atração principal não gerava uma expectativa tão promissora. Vindos de um disco bastante inferior a sua estréia ("Those The Brokes", 2006), o Magic Numbers chegava ao Brasil como um hype da outra estação. Só que aí - trocadilhemos - fez-se a mágica. E todo mundo ali lembrou porque tinha vindo e porque gostava de Magic Numbers. Para os queriam sucessos, "Take a chance" e "Love me like you". Para os corações ternos "I see you, you see me" e "Undecided". Para os confusos, "The mule" e a nova "Fear of sleep". Para todos, "Forever lost". "Fofo", saca? [resenha completa]

06) Björk @ TIM Festival - Marina da Glória
"Volta" pode não ter sido tudo aquilo que prometia ser, mas ao vivo, seu mundo multicolorido e conectado funcionou como poucos. Indo das "paisagens emocionais" de "Jóga" ao batidão revolucionário de "Declare independence", Björk brindou o público brasileiro com um show à altura de suas prentensões. Não bastassse o vestido de pós-bufão-de-carnaval, a islandesa trouxe consigo toda a maravilhosa parafernália pirotécnica, fazendo do show uma experiência audiovisual única, que justifica todo blábláblá de "artista total" que vem preso à Björk.
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05) The Rapture @ Planeta Terra (10/11)
Impossível ficar parado é o mínimo que pode ser dito sobre seu corpo no show do Rapture. Fechando a noite do palco 'indie' do Planeta Terra, os novaiorquinos tocaram com os graves no limite, jogando a platéia num transe contínuo ao som do melhor punk-funk-disco. É o tipo de banda que faz muito mais sentido no palco, onde mesmo canções supostamente mais discretas como "First gear" se tornam petardos irresistível.

04) LCD Soundsystem @ Via Funchal (13/11)
"Get innocuous", essa aí no vídeo abaixo, nem foi uma das melhores do show. Tem noção?

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3) Girl Talk @ TIM Festival - Marina da Glória
Quando os pés já doiam e a vontade de sair da Marina da Glória parecia forte demais para ser ignorada, subiu no palco um americano quase-baixinho, nerd-descolê e disse que tinha vindo de Pittsburg para fazer a festa aqui no Brasil. Daí tudo correu rápido demais e de uma maneira intensa demais para ser descrita. Imagine comprimir os 50 e tantos anos de música pop no pequeno lapso de meia hora e dançar loucamente isso tudo. Foi um pouco mais que isso.
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2) Mombojó @ Circo Voador (02/06)
Alguns shows são mais do que puras e simples apresentações musicais. Eles pod~em não mudar o mundo, mas podem mudar alguma coisa na sua vida. No caso, esse show do Mombojó fez resgatar muita da minha esperança que as coisas podem se acertar, mais especificamente no rock brasileiro. Os pernambucanos estão no topo do seu jogo. A melhor banda do Brasil. [resenha completa]

1) LCD Soundsystem @ Circo Voador (16/11)
A excelência de James Murphy já tinha sido comprovado no show de São Paulo (nº 4 dessa lista), mas ver o LCD Soundsystem no Circo Voador garantiu uma das melhores noites ever. Não bastasse a banda estar mais animada do que em SP e ter espaço de sobra para dançar (ingressos a 100 reais fizeram muita gente desistir), o Circo é o Circo. Eu poderia perder meu tempo falando tentado descrever o quão insano foram os 20 minutos da "Yeah!", ou que o empurra-empurra em "Movement" deixaria qualquer outro empurra-empurra envergonhado. Ou poderia dizer que "All my friends" é definitivamente uma das música da década. Resumo: o show do ano. [resenha completa]
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